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	<title>Facada Leite-Moça</title>
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		<title>Facada Leite-Moça</title>
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		<title>Um cadáver de poeta</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Feb 2012 19:00:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>facadaleitemoca</dc:creator>
				<category><![CDATA[TEXTO]]></category>
		<category><![CDATA[Àlvares de Azevedo]]></category>

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		<description><![CDATA[por Álvares de Azevedo* Levem ao túmulo aquele que parece um cadáver! Tu não pesaste sobre a terra: a terra te seja leve! L. Uhland I De tanta inspiração e tanta vida Que os nervos convulsivos inflamava E ardia sem conforto.. . O que resta? uma sombra esvaecida, Um triste que sem mãe agonizava&#8230; Resta [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=facadaleitemoca.com&amp;blog=3671264&amp;post=4800&amp;subd=facadaleitemoca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Álvares de Azevedo*</strong></p>
<p style="text-align:right;"><em>Levem ao túmulo aquele que parece um cadáver!</em></p>
<p style="text-align:right;"><em>Tu não pesaste sobre a terra: a terra te seja leve!</em></p>
<p style="text-align:right;"><em>L. Uhland</em></p>
<p><strong>I</strong></p>
<p>De tanta inspiração e tanta vida</p>
<p>Que os nervos convulsivos inflamava</p>
<p>E ardia sem conforto.. .</p>
<p>O que resta? uma sombra esvaecida,</p>
<p>Um triste que sem mãe agonizava&#8230;</p>
<p>Resta um poeta morto!</p>
<p>.</p>
<p>Morrer! e resvalar na sepultura,</p>
<p>Frias na fronte as ilusões — no peito</p>
<p>Quebrado o coração!</p>
<p>Nem saudades levar da vida impura</p>
<p>Onde arquejou de fome&#8230; sem um leito!</p>
<p>Em treva e solidão!</p>
<p>.</p>
<p>Tu foste como o sol; tu parecias</p>
<p>Ter na aurora da vida a eternidade</p>
<p>Na larga fronte escrita. . .</p>
<p>Porém não voltarás como surgias!</p>
<p>Apagou-se teu sol da mocidade</p>
<p>N’uma treva maldita!</p>
<p>.</p>
<p>Tua estrela mentiu. E do fadário</p>
<p>De tua vida a página primeira</p>
<p>Na tumba se rasgou&#8230;</p>
<p>Pobre gênio de Deus, nem um sudário!</p>
<p>Nem túmulo nem cruz! como a caveira</p>
<p>Que um lobo devorou!. . .</p>
<p>.</p>
<p><strong>II</strong></p>
<p>Morreu um trovador — morreu de fome.</p>
<p>Acharam-n’o deitado no caminho:</p>
<p>Tão doce era o semblante! Sobre os lábios</p>
<p>Flutuava-lhe um riso esperançoso.</p>
<p>E o morto parecia adormecido.</p>
<p>.</p>
<p>Ninguém ao peito recostou-lhe a fronte</p>
<p>Nas horas da agonia! Nem um beijo</p>
<p>Em boca de mulher! nem mão amiga</p>
<p>Fechou ao trovador os tristes olhos!</p>
<p>Ninguém chorou por ele&#8230; No seu peito</p>
<p>Não havia colar nem bolsa d&#8217;oiro;</p>
<p>Tinha até seu punhal um férreo punho&#8230;</p>
<p>Pobretão! não valia a sepultura!</p>
<p>.</p>
<p>Todos o viam e passavam todos.</p>
<p>Contudo era bem morto desde a aurora.</p>
<p>Ninguém lançou-lhe junto ao corpo imóvel</p>
<p>Um ceitil para a cova!&#8230; nem sudário!</p>
<p>O mundo tem razão, sisudo pensa,</p>
<p>E a turba tem um cérebro sublime!</p>
<p>De que vale um poeta — um pobre louco</p>
<p>Que leva os dias a sonhar — insano</p>
<p>Amante de utopias e virtudes</p>
<p>E, n’um tempo sem Deus, ainda crente?</p>
<p>.</p>
<p>A poesia é de certo uma loucura;</p>
<p>Sêneca o disse, um homem de renome.</p>
<p>É um defeito no cérebro&#8230; Que doudos!</p>
<p>É um grande favor, é muita esmola</p>
<p>Dizer-lhes bravo! à inspiração divina,</p>
<p>E, quando tremem de miséria e fome,</p>
<p>Dar-lhes um leito no hospital dos loucos&#8230;</p>
<p>Quando é gelada a fronte sonhadora,</p>
<p>Por que há de o vivo que despreza rimas</p>
<p>Cansar os braços arrastando um morto,</p>
<p>Ou pagar os salários do coveiro?</p>
<p>A bolsa esvaziar por um misérrimo,</p>
<p>Quando a emprega melhor em lodo e vício!</p>
<p>E que venham aí falar-me em Tasso!</p>
<p>Culpar Afonso d&#8217;Este — um soberano! —</p>
<p>Por não lhe dar a mão da irmã fidalga!</p>
<p>Um poeta é um poeta — apenas isso:</p>
<p>Procure para amar as poetisas!</p>
<p>Se na França a princesa Margarida,</p>
<p>De Francisco Primeiro irmã formosa,</p>
<p>Ao poeta Alain Chartier adormecido</p>
<p>Deu nos lábios um beijo, é que esta moça,</p>
<p>Apesar de princesa, era uma douda,</p>
<p>E a prova é que também rondós fazia.</p>
<p>Se Riccio o trovador obteve amores</p>
<p>— Novela até bastante duvidosa —</p>
<p>Dessa Maria Stuart formosíssima,</p>
<p>É que ela — sabe-o Deus! — fez tanta asneira,</p>
<p>Que não admira que a um poeta amasse!</p>
<p>.</p>
<p>Por isso adoro o libertino Horácio.</p>
<p>Namorou algum dia uma parenta</p>
<p>Do patrono Mecenas? Parasita,</p>
<p>Só pedia dinheiro — no triclinio</p>
<p>Bebia vinho bom — e não vivia</p>
<p>Fazendo versos às irmãs de Augusto.</p>
<p>.</p>
<p>E quem era Camões? Por ter perdido</p>
<p>Um olho na batalha e ser valente,</p>
<p>As esmolas valeu. Mas quanto ao resto,</p>
<p>Por fazer umas trovas de vadio,</p>
<p>Deveriam lhe dar, além de glória,</p>
<p>— E essa deram-lhe à farta — algum bispado,</p>
<p>Alguma dessas gordas sinecuras</p>
<p>Que se davam a idiotas fidalguias?</p>
<p>.</p>
<p>Deixem-se de visões, queimem-se os versos.</p>
<p>O mundo não avança por cantigas.</p>
<p>Creiam do poviléu os trovadores</p>
<p>Que um poema não val meia princesa.</p>
<p>.</p>
<p>Um poema contudo, bem escrito,</p>
<p>Bem limado e bem cheio de tetéias,</p>
<p>Nas horas do café lido fumando,</p>
<p>Ou no campo, na sombra do arvoredo,</p>
<p>Quando se quer dormir e não há sono,</p>
<p>Tem o mesmo valor que a dormideira.</p>
<p>.</p>
<p>Mas não passe dali do vate a mente.</p>
<p>Tudo o mais são orgulhos, são loucuras!</p>
<p><em>Faublas</em> tem mais leitores do que Homero. . .</p>
<p>Um poeta no mundo tem apenas</p>
<p>O valor de um canário de gaiola. . .</p>
<p>É prazer de um momento, é mero luxo.</p>
<p>Contente-se em traçar nas folhas brancas</p>
<p>De um <em>Álbum</em> da moda umas quadrinhas.</p>
<p>Nem faça apelações para o futuro.</p>
<p>O homem é sempre o homem. Tem juízo.</p>
<p>Desde que o mundo é mundo assim cogita.</p>
<p>.</p>
<p>Nem há negá-lo — não há doce lira</p>
<p>Nem sangue de poeta ou alma virgem</p>
<p>Que valha o talismã que no oiro vibra!</p>
<p>Nem músicas nem santas harmonias</p>
<p>Igualam o condão, esse eletrismo,</p>
<p>A ardente vibração do som metálico&#8230;</p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</p>
<p>Meu Deus! e assim fizeste a criatura?</p>
<p>Amassaste no lodo o peito humano?</p>
<p>Ó poetas, silêncio! é este o homem?</p>
<p>A feitura de Deus! a imagem dele!</p>
<p>O rei da criação!. . .</p>
<p>.</p>
<p>Que verme infame!</p>
<p>Não Deus, porém Satã no peito vácuo</p>
<p>Uma corda prendeu-te — o egoísmo!</p>
<p>Oh! miséria, meu Deus! e que miséria!</p>
<p>.</p>
<p><strong>III</strong></p>
<p>Passou El-Rei ali com seus fidalgos.</p>
<p>Iam a degolar uns insolentes</p>
<p>Que ousaram murmurar da infâmia régia,</p>
<p>Das nódoas de uma vida libertina!</p>
<p>Iam em grande gala. O Rei cismava</p>
<p>Na glória de espetar no pelourinho</p>
<p>A cabeça de um pobre degolado.</p>
<p>Era um rei <em>bon-vivant</em>, e rei devoto:</p>
<p>E, como Luís XI, ao lado tinha</p>
<p>O bobo, o capelão&#8230; e seu carrasco.</p>
<p>.</p>
<p>O cavalo do Rei, sentindo o morto,</p>
<p>Trêmulo de terror parou nitrindo.</p>
<p>Deu d&#8217;esporas leviano o cavaleiro</p>
<p>E disse ao capelão:</p>
<p>&#8220;E não enterram</p>
<p>Esse homem que apodrece, e no caminho</p>
<p>Assusta-me o corcel?&#8221;</p>
<p>Depois voltou-se</p>
<p>E disse ao camarista de semana:</p>
<p>&#8220;Conheces o defunto? Era inda moço.</p>
<p>Faria certamente um bom soldado.</p>
<p>A figura é esbelta! Forte pena!</p>
<p>Podia bem servir para um lacaio.&#8221;</p>
<p>.</p>
<p>Descoberto o faceiro fidalgote</p>
<p>Responde-lhe fazendo a cortesia:</p>
<p>&#8220;Pelas tripas do Papa! eu não me engano,</p>
<p>Leve-me Satanás se este defunto</p>
<p>Ontem não era o trovador Tancredo!&#8221;</p>
<p>.</p>
<p>&#8220;Tancredo&#8221;! murmurou erguendo os óculos</p>
<p>Um anfíbio, um barbaças truanesco,</p>
<p>Alma de Triboulet, que além de bobo</p>
<p>Era o vate da corte — bem nutrido,</p>
<p>Farto de sangue, mas de veia pobre,</p>
<p>Caídos beiços, volumoso abdômen,</p>
<p>Grisalha cabeleira esparramada,</p>
<p>Tremendo narigão, mas testa curta;</p>
<p>Em suma um glosador de sobremesas.</p>
<p>.</p>
<p>&#8220;Tancredo! — repetiu imaginando —</p>
<p>Um asno! só cantava para o povo!</p>
<p>Uma língua de fel, um insolente!</p>
<p>Orgulho desmedido.. . e quanto aos versos</p>
<p>Morava como um sapo n&#8217;água doce&#8230;</p>
<p>Não sabia fazer um trocadilho. . .&#8221;</p>
<p>.</p>
<p>O rei passou — com ele a companhia.</p>
<p>Só ficou ressupino e macilento</p>
<p>Da estrada em meio o trovador defunto.</p>
<p>.</p>
<p><strong>IV</strong></p>
<p>Ia caindo o sol. Bem reclinado</p>
<p>No vagaroso coche madornando,</p>
<p>Depois de bem jantar fazendo a sesta,</p>
<p>Roncava um nédio, um barrigudo frade:</p>
<p>Bochechas e nariz, em cima uns óculos,</p>
<p>Vermelho solidéu&#8230; enfim um bispo,</p>
<p>E um bispo, senhor Deus! da idade média,</p>
<p>Em que os bispos — como hoje e mais ainda —</p>
<p>Sob o peso da cruz bem rubicundos,</p>
<p>Dormindo bem, e a regalar bebendo,</p>
<p>Sabiam engordar na sinecura;</p>
<p>Papudos santarrões, depois da Missa</p>
<p>Lançando ao povo a bênção — por dinheiro!</p>
<p>.</p>
<p>O cocheiro ia bêbado por certo;</p>
<p>Os cavalos tocou p&#8217;lo bom caminho</p>
<p>Mesmo em cima das pernas do cadáver.</p>
<p>Refugou a parelha, mas o sota</p>
<p>— Que ao sol da glória episcopal enchia</p>
<p>De orgulho e de insolência o couro inerte,</p>
<p>Cuspindo o poviléu, como um fidalgo —</p>
<p>Que em falta de miolo tinha vinho</p>
<p>Na cabeça devassa, deu de esporas:</p>
<p>Como passara sobre a vil carniça</p>
<p>Reléu de corvos negros — foi por cima. . .</p>
<p>Mas desgraça! maldito aquele morto!</p>
<p>Desgraça!&#8230; não porque pisasse o coche</p>
<p>Aqueles magros ossos, mas a roda</p>
<p>Na humana resistência deu estalo. . .</p>
<p>E acorda o fradalhão&#8230;</p>
<p>.</p>
<p>&#8220;O que sucede?</p>
<p>— Pergunta bocejando: — É algum bêbado?</p>
<p>Em que bicho pisaram?&#8221;</p>
<p>.</p>
<p>&#8220;Senhor bispo&#8221;</p>
<p>Diz o servo da Igreja, o bom cocheiro</p>
<p>Ao vigário de Cristo, ao santo Apóstolo</p>
<p>Isto é — dessa fidalga raça nova</p>
<p>Que não anda de pé como S. Pedro,</p>
<p>Nem estafa os corcéis de S. Francisco:</p>
<p>&#8220;Perdoe Vossa Excelência Eminentíssima;</p>
<p>É um pobre-diabo de poeta,</p>
<p>Um homem sem miolo e sem barriga</p>
<p>Que lembrou-se de vir morrer na estrada!&#8221;</p>
<p>.</p>
<p>&#8220;Abrenúncio! — rouqueja o Santo Bispo —</p>
<p>Leve o Diabo essa tribo de boêmios!</p>
<p>Não há tanto lugar onde se morra?</p>
<p>Maldita gente! inda persegue os Santos</p>
<p>Depois que o Diabo a leva!. . .&#8221;</p>
<p>.</p>
<p>E foi caminho.</p>
<p>.</p>
<p>Leve-te Deus! Apóstolo da crença,</p>
<p>Da esperança e da santa caridade!</p>
<p>Tu, sim, és religioso e nos altares</p>
<p>Vem cada sacristão, e cada monge</p>
<p>Agitar a teus pés o seu turíbulo!</p>
<p>E o sangue do Senhor no cálix d&#8217;oiro</p>
<p>Da turba na oração te banha os lábios&#8230;</p>
<p>.</p>
<p>Leve-te Deus, Apóstolo da crença!</p>
<p>Sem padres como tu que fora o mundo?</p>
<p>É por ti que o altar apóia o trono!</p>
<p>E teu olhar que fertiliza os vales</p>
<p>Fecunda a vinha santa do Messias!</p>
<p>.</p>
<p>Leve-te Deus&#8230; ou leve-te o Demônio!</p>
<p>.</p>
<p><strong>V</strong></p>
<p>Caiu a noite, do azulado manto,</p>
<p>Como gotas de orvalho, sacudindo</p>
<p>Estrelas cintilantes. — Veio a lua</p>
<p>Banhando de tristeza o céu noturno:</p>
<p>Derrama aos corações melancolia,</p>
<p>Derrama no ar cheiroso molente</p>
<p>Cerúlea chama, dia incerto e pálido</p>
<p>Que ao lado da floresta ajunta as sombras</p>
<p>E lança pelas águas da campina</p>
<p>Alvacentos clarões que as flores bebem.</p>
<p>A galope, de volta do noivado,</p>
<p>Passa o Conde Solfier, e a noiva Elfrida.</p>
<p>Seguem fidalgos que o sarau reclama.</p>
<p><em>Elfrida</em></p>
<p>— Não vês, Solfier, ali da estrada em meio</p>
<p>Um defunto estendido? —</p>
<p><em>Solfier</em></p>
<p>— Ó minha Elfrida,</p>
<p>Voltemos desse lado: outro caminho</p>
<p>Se dirige ao castelo. É mau agouro</p>
<p>Por um morto passar em noites destas. —</p>
<p>Mas Elfrida aproxima o seu cavalo.</p>
<p><em>Elfrida</em></p>
<p>— Tancredo!&#8230; vede! é o trovador Tancredo!</p>
<p>Coitado! assim morrer! um pobre moço!</p>
<p>Sem mãe e sem irmã! E não o enterram?</p>
<p>Neste mundo não teve um só amigo? —</p>
<p>&#8220;Ninguém, senhora! — respondeu da sombra</p>
<p>Uma dorida voz: — Eu vim, há pouco,</p>
<p>Ao saber que do povo no abandono</p>
<p>Jazia como um cão. Eu vim, e eu mesmo</p>
<p>Cavei junto do lago a cova impura.&#8221;</p>
<p><em>Elfrida</em></p>
<p>— Tendes um coração. Tomai, mancebo,</p>
<p>Tomai essa pulseira&#8230; Em oiro e jóias</p>
<p>Tem bastante p&#8217;ra erguer-lhe um monumento,</p>
<p>E para longas missas lhe dizerem</p>
<p>Pelo repouso d&#8217;alma&#8230; —</p>
<p>O moço riu-se.</p>
<p><em>O Desconhecido</em></p>
<p>— Obrigado. Guardai as vossas jóias.</p>
<p>Tancredo o trovador morreu de fome;</p>
<p>Passaram-lhe no corpo frio e morto,</p>
<p>Salpicaram de lodo a face dele,</p>
<p>Talvez cuspissem nesta fronte santa</p>
<p>Cheia outrora de eternas fantasias,</p>
<p>De idéias a valer um mundo inteiro!&#8230;</p>
<p>Por que lançar esmolas ao cadáver?</p>
<p>Leva-as, fidalga — tuas jóias belas!</p>
<p>O orgulho do plebeu as vê sorrindo.</p>
<p>Missas&#8230; bem sabe Deus se neste mundo</p>
<p>Gemeu alma tão pura como a dele!</p>
<p>Foi um anjo, e murchou-se como as flores,</p>
<p>Morreu sorrindo como as virgens morrem!</p>
<p>Alma doce que os homens enjeitaram,</p>
<p>Lírio que profanou a turba imunda,</p>
<p>Oh! não te mancharei nem a lembrança</p>
<p>Com o óbolo dos ricos! Pobre corpo,</p>
<p>És o templo deserto, onde habitava</p>
<p>O Deus que em ti sofreu por um momento!</p>
<p>Dorme, pobre Tancredo! eu tenho braços:</p>
<p>Na cova negra dormirás tranqüilo. . .</p>
<p>Tu repousas ao menos!. . .</p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</p>
<p>No entanto sofreando a custo a raiva,</p>
<p>Mordendo os lábios de soberba e fúria,</p>
<p>Solfier da bainha arranca a espada,</p>
<p>Avança ao moço e brada-lhe:</p>
<p>&#8220;Insolente!</p>
<p>Cala-te, doudo! Cala-te, mendigo!</p>
<p>Não vês quem te falou? Curva o joelho,</p>
<p>Tira o gorro, vilão!&#8221;</p>
<p><em>O Desconhecido</em></p>
<p>— Tu vês: não tremo.</p>
<p>Tu não vales o vento que salpica</p>
<p>Tua fronte de pó. Porque és fidalgo,</p>
<p>Não sabes que um punhal vale uma espada</p>
<p>Dentro do coração? —</p>
<p>.</p>
<p>Mas logo Elfrida:</p>
<p>&#8220;Acalma-te, Solfier! O triste moço</p>
<p>Desespera, blasfema e não me insulta.</p>
<p>Perdoa-me também, mancebo triste;</p>
<p>Não pensei ofender tamanho orgulho.</p>
<p>Tua mágoa respeito. Só te imploro</p>
<p>Que sobre a fronte ao trovador desfolhes</p>
<p>Essas flores, as flores do noivado</p>
<p>De uma triste mulher&#8230; E quanto às jóias,</p>
<p>Lança-as no lago. . . Mas quem és? teu nome?&#8221;</p>
<p><em>O Desconhecido</em></p>
<p>— Quem sou? um doudo, uma alma de insensato,</p>
<p>Que Deus maldisse e que Satã devora;</p>
<p>Um corpo moribundo em que se nutre</p>
<p>Uma centelha de pungente fogo,</p>
<p>Um raio divinal que dói e mata,</p>
<p>Que doira as nuvens e amortalha a terra!&#8230;</p>
<p>Uma alma como o pó em que se pisa;</p>
<p>Um bastardo de Deus, um vagabundo</p>
<p>A que o gênio gravou na fronte — anátema!</p>
<p>Desses que a turba com o dedo aponta. . .</p>
<p>Mas não; não hei de sê-lo! eu juro n&#8217;alma,</p>
<p>Pela caveira, pelas negras cinzas</p>
<p>De minha mãe o juro&#8230; agora há pouco</p>
<p>Junto de um morto reneguei do gênio,</p>
<p>Quebrei a lira à pedra de um sepulcro. . .</p>
<p>Eu era um trovador, sou um mendigo&#8230; —</p>
<p>.</p>
<p>Ergueu do chão a dádiva d&#8217;Elfrida;</p>
<p>Roçou as flores aos trementes lábios;</p>
<p>Beijou-as. Sobre o peito de Tancredo</p>
<p>Pousou-as lentamente&#8230;</p>
<p>— Em nome dele,</p>
<p>Agradeço estas flores do teu seio,</p>
<p>Anjo que sobre um túmulo desfolhas</p>
<p>Tuas últimas flores de donzela! —</p>
<p>.</p>
<p>Depois vibrou na lira estranhas mágoas,</p>
<p>Carpiu à longa noite escuras nênias,</p>
<p>Cantou: banhou de lágrimas o morto.</p>
<p>.</p>
<p>De repente parou — vibrou a lira</p>
<p>Co&#8217;as mãos iradas trêmulas&#8230; e as cordas</p>
<p>Uma per uma rebentou cantando&#8230;</p>
<p>Tinha fogo no crânio, e sufocava.</p>
<p>Passou a fria mão nas fontes úmidas,</p>
<p>Abriu a medo os lábios convulsivos,</p>
<p>Sorriu de desespero — e sempre rindo</p>
<p>Quebrou as jóias e as lançou no abismo&#8230;</p>
<p><strong>VI</strong></p>
<p>No outro dia, na borda do caminho</p>
<p>Deitado ao pé de um fosso aberto apenas</p>
<p>Viu-se um mancebo loiro que morria. . .</p>
<p>Semblante feminil, e formas débeis,</p>
<p>Mas nos palores da espaçosa fronte</p>
<p>Uma sombria dor cavara sulcos.</p>
<p>Corria sobre os lábios alvacentos</p>
<p>Uma leve umidez, um ló d&#8217;escuma,</p>
<p>E seus dentes a raiva constringira&#8230;</p>
<p>Tinha os punhos cerrados. . . Sobre o peito</p>
<p>Acharam letras de uma língua estranha. . .</p>
<p>E um vidro sem licor. . . fora veneno!. . .</p>
<p>.</p>
<p>Ninguém o conheceu; mas conta o povo</p>
<p>Que, ao lançá-lo no túmulo, o coveiro</p>
<p>Quis roubar-lhe o gibão — despiu o moço. . .</p>
<p>E viu. . . talvez é falso. . . níveos seios. . .</p>
<p>Um corpo de mulher de formas puras. . .</p>
<p>.</p>
<p><strong>VII</strong></p>
<p>Na tumba dormem os mistérios d’ambos;</p>
<p>Da morte o negro véu não há erguê-lo!</p>
<p>Romance obscuro de paixões ignotas,</p>
<p>Poema d&#8217;esperança e desventura,</p>
<p>Quando a aurora mais bela os encantava,</p>
<p>Talvez rompeu-se no sepulcro deles!</p>
<p>Não pode o bardo revelar segredos</p>
<p>Que levaram ao céu as ternas sombras;</p>
<p>Desfolha apenas nessas frontes puras</p>
<p>Da extrema inspiração as flores murchas. . .</p>
<p>.</p>
<p>*<strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81lvares_de_Azevedo" target="_blank">Manuel Antônio Álvares de Azevedo </a> </strong>(1831 -1852) foi um escritor da segunda geração romântica (Ultra-Romântica, Byroniana ou Mal-do-século), contista, dramaturgo, poeta e ensaísta brasileiro, autor de Noite na Taverna.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/facadaleitemoca.wordpress.com/4800/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/facadaleitemoca.wordpress.com/4800/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/facadaleitemoca.wordpress.com/4800/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/facadaleitemoca.wordpress.com/4800/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/facadaleitemoca.wordpress.com/4800/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/facadaleitemoca.wordpress.com/4800/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/facadaleitemoca.wordpress.com/4800/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/facadaleitemoca.wordpress.com/4800/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/facadaleitemoca.wordpress.com/4800/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/facadaleitemoca.wordpress.com/4800/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/facadaleitemoca.wordpress.com/4800/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/facadaleitemoca.wordpress.com/4800/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/facadaleitemoca.wordpress.com/4800/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/facadaleitemoca.wordpress.com/4800/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=facadaleitemoca.com&amp;blog=3671264&amp;post=4800&amp;subd=facadaleitemoca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Ambulantes no Rio de Janeiro</title>
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		<comments>http://facadaleitemoca.com/2012/02/03/ambulantes/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 10:59:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>facadaleitemoca</dc:creator>
				<category><![CDATA[FOTO]]></category>
		<category><![CDATA[Marc Ferrez]]></category>

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		<description><![CDATA[por Marc Ferrez* Vendedor ambulante &#8211; 1895 Vendedor ambulante Vendedor ambulante de frutas &#8211; 1895 &#160; Meninos vendem jornais &#8211; 1899 &#160; . * Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923) foi um fotógrafo franco-brasileiro, nascido no Rio de Janeiro. Retratou cenas dos períodos do Império e início da República, entre 1865 e 1918, sendo que seu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=facadaleitemoca.com&amp;blog=3671264&amp;post=4790&amp;subd=facadaleitemoca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Marc Ferrez*</strong></p>
<p><a href="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/02/afot3602.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4791" title="Afot3602" src="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/02/afot3602.jpg?w=610" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><em>Vendedor ambulante &#8211; 1895</em></p>
<p style="text-align:center;">
<p><a href="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/02/bv11d.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4793" title="Bv11d" src="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/02/bv11d.jpg?w=610" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><em>Vendedor ambulante</em></p>
<p style="text-align:center;">
<p><a href="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/02/bv11c.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4792" title="Bv11c" src="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/02/bv11c.jpg?w=610" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><em>Vendedor ambulante de frutas &#8211; 1895</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/02/jornais1899.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4794" title="Jornais1899" src="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/02/jornais1899.jpg?w=610" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><em>Meninos vendem jornais &#8211; 1899</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>.</p>
<p>* <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Marc_Ferrez" target="_blank"><strong>Marc Ferrez</strong></a> (1843 &#8211; 1923) foi um fotógrafo franco-brasileiro, nascido no Rio de Janeiro. Retratou cenas dos períodos do Império e início da República, entre 1865 e 1918, sendo que seu trabalho é um dos mais importantes legados visuais daquelas épocas.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/facadaleitemoca.wordpress.com/4790/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/facadaleitemoca.wordpress.com/4790/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/facadaleitemoca.wordpress.com/4790/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/facadaleitemoca.wordpress.com/4790/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/facadaleitemoca.wordpress.com/4790/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/facadaleitemoca.wordpress.com/4790/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/facadaleitemoca.wordpress.com/4790/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/facadaleitemoca.wordpress.com/4790/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/facadaleitemoca.wordpress.com/4790/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/facadaleitemoca.wordpress.com/4790/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/facadaleitemoca.wordpress.com/4790/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/facadaleitemoca.wordpress.com/4790/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/facadaleitemoca.wordpress.com/4790/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/facadaleitemoca.wordpress.com/4790/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=facadaleitemoca.com&amp;blog=3671264&amp;post=4790&amp;subd=facadaleitemoca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Afot3602</media:title>
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			<media:title type="html">Bv11d</media:title>
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			<media:title type="html">Bv11c</media:title>
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			<media:title type="html">Jornais1899</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Descripção verdadeira de um paiz de selvagens nús, ferozes e cannibaes, situado no novo mundo América, desconhecido na terra de Hessen antes e depois do nascimento de Christo, até que, há dois annos, Hans Staden de Homberg, em Hessen, por sua própria experiência, o conheceu e agora a dá à luz pela segunda vez, diligentemente augmentada e melhorada</title>
		<link>http://facadaleitemoca.com/2012/01/27/descripcao-verdadeira-de-um-paiz-de-selvagens/</link>
		<comments>http://facadaleitemoca.com/2012/01/27/descripcao-verdadeira-de-um-paiz-de-selvagens/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 12:15:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>facadaleitemoca</dc:creator>
				<category><![CDATA[ILUSTRAÇÃO]]></category>
		<category><![CDATA[TEXTO]]></category>
		<category><![CDATA[Hans Staden]]></category>

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		<description><![CDATA[por Hans Staden* . * Hans Staden (Homberg (Efze), c. 1525 — Wolfhagen, c. 1579) foi um aventureiro mercenário alemão. Por duas vezes Staden passou pela América Portuguesa no início do século XVI, onde teve oportunidade de participar de combates na Capitania de Pernambuco e na Capitania de São Vicente, contra corsários franceses. Este é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=facadaleitemoca.com&amp;blog=3671264&amp;post=4770&amp;subd=facadaleitemoca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Hans Staden*</strong></p>
<p><a href="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0025_mapa_t08-g-r0150.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4772" title="hg-16656-v_0025_mapa_t08-G-R0150" src="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0025_mapa_t08-g-r0150.jpg?w=610&#038;h=526" alt="" width="610" height="526" /></a></p>
<p><a href="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0156_160_t08-g-r0150.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4774" title="hg-16656-v_0156_160_t08-G-R0150" src="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0156_160_t08-g-r0150.jpg?w=610&#038;h=965" alt="" width="610" height="965" /></a></p>
<p><a href="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0157_161_t08-g-r0150.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4775" title="hg-16656-v_0157_161_t08-G-R0150" src="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0157_161_t08-g-r0150.jpg?w=610&#038;h=965" alt="" width="610" height="965" /></a></p>
<p><a href="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0158_162_t08-g-r0150.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4776" title="hg-16656-v_0158_162_t08-G-R0150" src="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0158_162_t08-g-r0150.jpg?w=610&#038;h=965" alt="" width="610" height="965" /></a></p>
<p><a href="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0159_163_t08-g-r0150.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4777" title="hg-16656-v_0159_163_t08-G-R0150" src="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0159_163_t08-g-r0150.jpg?w=610&#038;h=965" alt="" width="610" height="965" /></a></p>
<p><a href="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0160_164_t08-g-r0150.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4778" title="hg-16656-v_0160_164_t08-G-R0150" src="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0160_164_t08-g-r0150.jpg?w=610&#038;h=965" alt="" width="610" height="965" /></a></p>
<p><a href="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0161_165_t08-g-r0150.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4779" title="hg-16656-v_0161_165_t08-G-R0150" src="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0161_165_t08-g-r0150.jpg?w=610&#038;h=965" alt="" width="610" height="965" /></a></p>
<p><a href="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0162_166_t08-g-r0150.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4780" title="hg-16656-v_0162_166_t08-G-R0150" src="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0162_166_t08-g-r0150.jpg?w=610&#038;h=965" alt="" width="610" height="965" /></a></p>
<p><a href="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0163_167_t08-g-r0150.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4781" title="hg-16656-v_0163_167_t08-G-R0150" src="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0163_167_t08-g-r0150.jpg?w=610&#038;h=965" alt="" width="610" height="965" /></a></p>
<p><a href="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0164_168_t08-g-r0150.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4782" title="hg-16656-v_0164_168_t08-G-R0150" src="http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2012/01/hg-16656-v_0164_168_t08-g-r0150.jpg?w=610&#038;h=965" alt="" width="610" height="965" /></a></p>
<p>.</p>
<p>* <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hans_Staden">Hans Staden</a> (Homberg (Efze), c. 1525 — Wolfhagen, c. 1579) foi um aventureiro mercenário alemão. Por duas vezes Staden passou pela América Portuguesa no início do século XVI, onde teve oportunidade de participar de combates na Capitania de Pernambuco e na Capitania de São Vicente, contra corsários franceses. Este é um trecho do livro <a href="http://purl.pt/151/1/P1.html" target="_blank">Viagem ao Brasil</a>.<br />
Em sua segunda viagem ao Brasil, enquanto caçava sozinho, Staden foi feito prisioneiro por uma tribo Tupinambá que o conduziu a Ubatuba. Desde o início ficou claro que a intenção dos seus captores era devorá-lo. Pouco tempo depois, os tupiniquins aliados dos portugueses atacaram a aldeia onde ele era mantido prisioneiro. Mesmo cativo, e não tendo escolha, lutou ao lado dos tupinambás. Seu desejo era tentar fugir para unir-se aos atacantes. Mas, estes, vendo que a luta era inútil, logo desistiram.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/facadaleitemoca.wordpress.com/4770/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/facadaleitemoca.wordpress.com/4770/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/facadaleitemoca.wordpress.com/4770/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/facadaleitemoca.wordpress.com/4770/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/facadaleitemoca.wordpress.com/4770/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/facadaleitemoca.wordpress.com/4770/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/facadaleitemoca.wordpress.com/4770/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/facadaleitemoca.wordpress.com/4770/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/facadaleitemoca.wordpress.com/4770/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/facadaleitemoca.wordpress.com/4770/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/facadaleitemoca.wordpress.com/4770/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/facadaleitemoca.wordpress.com/4770/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/facadaleitemoca.wordpress.com/4770/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/facadaleitemoca.wordpress.com/4770/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=facadaleitemoca.com&amp;blog=3671264&amp;post=4770&amp;subd=facadaleitemoca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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